quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Risotto, Av. Liberdade




 

A ida ao Risotto (ou, como lhe chamávamos inicialmente, Risoitto) já estava agendada desde tempos imemoriais (ou seja, à mais de dois anos). Desde a noite em que passámos à porta do restaurante e gostámos do que vimos através da janela (tinha uma decoração muito engraçada) e na janela (a ementa e os preços eram interessantes) que falávamos nisso. Mas entre indisponibilidades de tempo, agenda, dinheiro, zangas e esquecimentos, a ida foi sempre sendo adiada para uma altura mais propícia, que tardava a chegar. Eis senão quando, para festejar uma efeméride, nos lembrámos que fazia todo o sentido (finalmente!) ir jantar ao Risotto.

Até aqui tudo bem. O pior foi encontrar o dito restaurante. Viemos a descobrir, da pior maneira possível, que demorámos tanto tempo a  concretizar a ida ao restaurante que ele mudou de local e nós nem nos apercebemos. Sim, leram bem, mudou-se.

Então não foram ver se ele ainda existia antes de pensarem em ir lá jantar? - pergunta o caro leitor. 
Fomos, sim senhor. Melhor, reservámos uma mesa e tudo. - respondemos nós com ar envergonhado.
Então não percebo.... Como não deram conta? - pergunta o leitor intrigado.
Bem.... Como nos atenderam o telefone, ficámos descansados em relação a estarem abertos. O que ninguém ligou foi para a morada. Nós sabíamos perfeitamente onde ficava o restaurante... - respondemos com um ar de quem tem não tem culpa.

Mas qual não foi o nosso espanto quando (finalmente!) chegámos "à porta" do restaurante e estava lá outro no seu lugar. Intrigados, descemos a rua, não fosse a memória ter-nos pregado uma partida. E nada. Onde raio se meteu o restaurante?!

Então, mas não pegaram no telemóvel e viram onde afinal ficava o restaurante? Ou ligaram para o restaurante a saber onde ficava? - indaga o leitor já a ficar irritado com tanta idiotice.
Pois.....nenhum de nós tem smartphones... só dumbfones. E não levámos o número de telefone do restaurante connosco. A nossa opção foi desatar a ligar a amigos e familiares que nos pudessem ajudar, e ao fim algumas tentativas lá uma alma caridosa nos conseguiu ajudar. - respondemos cada vez mais envergonhados. 

Fossem a outro! - exclama o leitor.
Os únicos que nos pareciam interessantes estavam cheios. E, a partir de determinada altura, tornou-se ponto de honra (quase a virar ponto de rebuçado) em ir ao restaurante que tínhamos pensado ir, desse por onde desse (óbvio que se ninguém tivesse ajudado, ou a nova localização fosse na conchichina, teríamos que nos resignar mas nunca sem dar luta!) - exclamamos nós de peito inflamado (de gripe muito possivelmente....).

 
Felizmente o restaurante tinha-se mudado para uma rua próxima. Lá fomos nós em passo acelerado, com esta brincadeira já eram quase 22h, senão ainda nos habilitávamos a bater com o nariz na porta ou, pelo menos, a encontrar a cozinha fechada. 

Quando chegámos, esbaforidos e esfaimados, perguntámos logo se ainda serviam (disseram logo que sim) e, quase sem ganhar fôlego, perguntámos se o restaurante tinha mudado de sítio ou estávamos baralhados. Fomos agraciados com a pergunta "Foram ao sitio antigo?" logo seguida com uma bela gargalhada com sotaque brasileiro. 

Esta gargalhada poderia ter sido o início de uma grande inimizade mas, na verdade, fomos atendidos rapidamente e com muita simpatia (devemos ter instilado um certo sentimento de pena...) sendo difícil levar a mal a risota.... nós próprios, quando finalmente assentámos arraiais, nos fartámos de rir com a nossa aventura.


A mudança de local ditou uma mudança na decoração do restaurante. O espaço tem uma decoração simples mas alegre, conjugando o branco, o roxo (alfazema, rosa seco.... dependendo do olho que vê) e fotografias florais. Confortável e com muito espaço entre as mesas (arejamento acentuado pela decoração), permitindo que estivesse um jantar de mais de dez pessoas no restaurante e que tal não tivesse grande impacto nos jantares das restantes mesas (sugerindo que é um bom restaurante para jantares de grupos).

A comida, julgo que não será surpresa para ninguém tendo em vista o nome do restaurante, é de inspiração italiana com um  foco maior no risotto. Depois de algum browsing pela ementa (uns durante mais tempo que outros) e alguma indecisão (uns mais que outros) decidimo-nos por lasanha (com bolognese de carne, queijo taleggio, tomate seco e creme de mandioca) e um risotto de codorniz (com farinheira, grelos, aipo, manjericão, alho e salsa). Enquanto aguardávamos pelos pratos principais, fomos atacando o "cesto" do pão, molhando-o no azeite, e, talvez pelo desgaste da aventura, soube que nem ginjas!

Se os pratos tinham um aspecto delicioso a quando da sua chegada à mesa (a lasanha tem um look pouco convencional), após as primeiras garfadas comprovou-se que não era só aspecto. Ambos os pratos estavam ótimos! De tão cheios, devido ao couvert e o prato principal, não comemos sobremesa (bem... também não vi nada que me apelasse à gula). A brincadeira ficou por 20€pp (com sobremesa devia chegar aos 25€), o que não é barato mas dias não são dias. 


Risotto

2ª a 6ª | 12:30 - 15:00 | 19:30 - 23:00
Sáb: 19:30 - 23:00
Rua Rodrigues Sampaio nº 94 C, 1150-281 Lisboa
Telef | 213 150 233
restaurante@riso8.pt
https://www.facebook.com/Riso8
  


1 comentário:

Flávio disse...

Muito interessante o vosso site. Não o checia mas através de amigos vim aqui dar uma olhadela. Como foi dito, a ideia não é original, mas se calhar em Português andará perto disso. Continuem o bom trabalho que eu virei visitar-vos mais vezes. Abraço.